Nunca sacuda um papa violentamente para acordá-lo. É considerado, por cristãos e não cristãos, um grave erro social. Mas, se você tiver mesmo de fazê-lo, é melhor não fazê-lo, como eu viria a aprender, na véspera da Páscoa. “Jesus, Deus.” “Santidade!” “O que foi, pelo amor de Cristo?” “Algo que exige sua atenção imediata.” “O quê? Quem… quem está aí? Thomas?” “Sim, Santo Padre.” Agora eu tinha sua atenção completa, já que eu havia falado esta última frase sem nenhuma das minhas ironias habituais. Dizem que a fofoca tem mil línguas e tudo mais, mas eu tinha certeza de que era seu filho mais novo — embora, é claro, ele não estivesse em posição de reconhecer nenhum de nós. “O que está acontecendo?”, perguntou Katrina, que jazia ao lado do vigário de Cristo. Ela era dez anos mais jovem que eu e certamente o único ser humano que já amei. Enquanto meus olhos se acostumavam à escuridão, dava para distinguir, através dos vapores de uísque e do torpor do peiote, a mais sublime forma feminina da...